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	<title>Artigos &#8211; Hospital Cantareira</title>
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		<title>Poppers, o inalante de raves e house parties nunca saiu de cena</title>
		<link>https://cantareira.spdm.org.br/poppers-o-inalante-de-raves-e-house-parties-nunca-saiu-de-cena/</link>
				<pubDate>Wed, 04 May 2016 19:20:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[TI SPDM]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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				<description><![CDATA[A rede de computadores está cheia de anúncios como esses. São os famosos poppers: drogas da família dos inalantes muito utilizadas em festas – disco/club scene – dos anos 1970, quando se popularizou, festas ravesdos anos 1990 e house parties atualmente. Vendidos em pequenos frascos de vidro para ser abertos e cheirados periodicamente, os poppers,]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p>A rede de computadores está cheia de anúncios como esses. São os famosos <em>poppers</em>: drogas da família dos inalantes muito utilizadas em festas – <em>disco/club scene</em> – dos anos 1970, quando se popularizou, festas <em>raves</em>dos anos 1990 e <em>house parties</em> atualmente.</p>
<p>Vendidos em pequenos frascos de vidro para ser abertos e cheirados periodicamente, os <em>poppers</em>, na verdade , são alkil nitritos – uma série de compostos químicos voláteis, como methyl nitrito, amyl nitrito e ethyl nitrito – e são facilmente sintetizados a partir de álcool, nitrito sódico e solução de ácido sulfúrico. Provocam relaxamento, vasodilatação e sensação de bem-estar. Como levam à dilatação da musculatura lisa, incluindo a anal e a vaginal, são utilizados durante o ato sexual com a promessa de potencializar o prazer. São muito usados por grupos específicos, além de frequentadores das festas, como homossexuais masculinos em sauna gay e festas de conteúdo sexual.</p>
<p>Desde a sua popularização na década de 1970, os <em>poppers</em> sempre estiveram nas paradas de sucesso, com alguns picos de uso – na própria década de 1970 e depois, na era <em>rave</em>, em 1990. Nunca se tratou de uma droga muito alardeada ao público geral, mas sempre esteve presente nesse contexto. É pouco conhecida dos pais, por ser utilizada apenas nesses ambientes “especializados” e por um público em uma fase da vida na qual o prazer, a diversão e a curiosidade estão aflorados: os jovens, inclusive os adolescentes.</p>
<p>Atualmente essa droga vem sendo usada também em <em>house parties</em>. Essas festas aparentemente promovem a ideia de realizar diversões e comemorações na própria casa, e não mais em clubes, mas a proposta inicial foi distorcida por um grupo de pessoas para a promoção do que é proibido aos adolescentes: sexo, bebida e drogas. Essas<em> house parties</em> proibidas, promovidas por adolescentes na casa dos pais e, obviamente, na ausência deles, são frequentadas também por adultos, que aliciam o jovem para que ele minta aos pais, dizendo que participará de festa na casa de um amigo conhecido – portanto, sem levantar suspeita. Como há bastante conteúdo sexual, os <em>poppers</em> são bem-vindos nessas festas, além, é claro, da bebida.</p>
<p>Assim como todos os outros inalantes, os poppers são bastante deletérios ao sistema nervoso central no longo prazo, e seu uso continuado pode levar à morte neuronal com dano cerebral e deficiência cognitiva. Neste ano, há relato de um caso, na literatura médica, de retinopatia por <em>poppers</em> (lesão grave em tecido ocular por dano vascular), mas parece ser algo raro.</p>
<p>Durante a intoxicação, o que prevalece é a sensação de bem-estar, mas ocorre relaxamento muscular, incoordenação motora e prejuízo da crítica. Existem muitas pesquisas associando o uso da droga à transmissão de HIV, a última delas entre chineses, mas existem estudos anteriores na população europeia. Essa relação parece ser estatística, por causa do comportamento de risco, ou seja, quem usa <em>poppers</em> também tem comportamento de risco para doença sexualmente transmissível. Esse comportamento parece estar potencializado nos usuários, porque há, durante a intoxicação aguda, diminuição da crítica e forte associação do uso com o sexo; logo, o jovem acaba se expondo ao sexo sem proteção. Em associação ao consumo de medicamentos para manutenção da ereção (como Viagra e similares), pode provocar queda brusca na pressão arterial e há risco de morte. Na bula desses medicamentos há uma recomendação específica sobre a interação com nitritos, mas raramente o jovem sabe que os <em>poppers</em> são um nitrito. No período pós-uso, o usuário pode apresentar dor de cabeça, náusea e vômito.</p>
<p>Os <em>poppers</em> não são uma droga de rua e seu uso se restringe a essas populações específicas – portanto, não é tão divulgado e a informação sobre os seus riscos é baixa entre os jovens. O que preocupa, além disso, é que essa droga continua atuando nos bastidores do mundo juvenil (internet, baladas e festas, com grande apelo sexual). Sem criar tanto alarme, ela está em cena há 46 anos, resultando em usuários e prejuízos.</p>
<p><em>Luis J1, Virdi M1, Nabili S1. <strong>Poppers retinopathy</strong>. BMJ Case Rep. 2016 Mar 7; 2016.</em></p>
<p><em>Zhang H1, Teng T1, Lu H2, Zhao Y2, Liu H3, Yin L4, Sun Z1, He X5, Qian HZ4, Ruan Y1, Shao Y1, Vermund SH4.<strong>Poppers use and risky sexual behaviors among men who have sex with men in Beijing, China</strong>. Drug Alcohol Depend. 2016 Mar 1; 160:42-8.</em></p>
<p><img class="imgnoticia" src="https://www.spdm.org.br/images/cmigration/Claudio.jpg" alt="Claudio" width="166" height="149" /></p>
<p>Dr. Claudio Jerônimo Silva &#8211; Psiquiatra e Diretor da Unidade Recomeço Helvetia</p>
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										</item>
		<item>
		<title>O adolescente e o uso de drogas</title>
		<link>https://cantareira.spdm.org.br/o-adolescente-e-o-uso-de-drogas/</link>
				<pubDate>Thu, 14 Apr 2016 20:12:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[TI SPDM]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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				<description><![CDATA[O tratamento é uma oportunidade para ajudar o paciente a transformar sua percepção do mundo e sua forma de nele inserir-se. A adolescência é um período marcado por inúmeras transformações e conquistas importantes. É uma fase de desenvolvimento integral na qual ocorrem imensuráveis modificações no organismo especialmente, no sistema nervoso central (SNC). O uso de substâncias]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p>O tratamento é uma oportunidade para ajudar o paciente a transformar sua percepção do mundo e sua forma de nele inserir-se.</p>
<p>A adolescência é um período marcado por inúmeras transformações e conquistas importantes. É uma fase de desenvolvimento integral na qual ocorrem imensuráveis modificações no organismo especialmente, no sistema nervoso central (SNC). O uso de substâncias psicoativas, que passa a ser muito atraente nessa fase, pode causar danos irreversíveis à estrutura cerebral e aumentar o risco do desenvolvimento da dependência química.</p>
<p>O tabagismo, bem como o uso de outras substâncias psicoativas, tende a se estabelecer durante a adolescência. Quanto mais precoce a idade do início, maior a probabilidade do indivíduo tornar-se dependente da nicotina. A figura do cigarro, por exemplo, como algo proibido estimula o desejo do adolescente e do jovem de transgredir, e suas principais motivações para fumar é o desejo de se afirmar como adulto e de ser aceito no grupo.</p>
<p>O adolescente vive o presente, busca realizações imediatas, e os efeitos das drogas, entre elas, os cigarros vão ao encontro desse perfil, proporcionando o “prazer”, passivo e imediato. Frequentemente é na fase escolar que o adolescente tem o primeiro contato com o mundo das drogas. O problema é que o uso precoce de drogas pode afastar o adolescente de seu desenvolvimento normal, impedindo-o de experimentar outras atividades importantes nesta fase da vida.</p>
<p>A curiosidade dos adolescentes é um dos fatores de maior influência na experimentação de substâncias psicoativas, fazendo com que o jovem busque novas sensações e prazeres.</p>
<p>Para a maioria dos jovens e adolescentes, as bebidas alcoólicas e o cigarro serão a combinação mais frequente. São drogas lícitas (comercializadas de forma legal), a lei brasileira proíbe a venda para menores de 18 anos.</p>
<p><strong>II LENAD</strong></p>
<p>Vejamos alguns dados da pesquisa realizada pelo II LENAD (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas São Paulo), o estudo foi feito em 149 municípios em todas as regiões do país, entrevistou 4.607 pessoas com idade mínima de 14 anos, sobre o consumo de cigarro, de cocaína aspirada ou fumada (crack), avaliaram o uso de álcool e maconha.</p>
<p><strong>Cigarro:</strong></p>
<p><img src="http://www.uniad.org.br/images/lenad_grafico.png" alt="lenad grafico" width="694" height="521" /></p>
<p>O tabaco parece ser uma das drogas psicoativas de maior acessibilidade, tem um preço baixo, é aceita na sociedade de maneira legal. A nicotina é um ingrediente psicoativo altamente indutor a dependência. O levantamento revelou a facilidade que os adolescentes têm acesso ao cigarro, 62% dos menores disseram que a idade nunca os impediu de comprar cigarros.</p>
<p><strong>Maconha:</strong></p>
<p><img src="http://www.uniad.org.br/images/maconha.png" alt="maconha" width="450" height="304" /></p>
<p>É a substância proibida por lei mais usada em nosso país. Um em cada dez adolescentes usuários de maconha é dependente da droga. O uso da maconha muitas vezes começa a ser associado a várias situações pelas quais o indivíduo passa, se ele está nervoso fuma; se está tenso fuma para relaxar, se sente depressivo fuma, se tem um problema fuma antes de pensar em tentar resolvê-lo e assim por diante, tornando assim cada vez mais dependente.</p>
<p><strong>Crack:</strong></p>
<p><img src="http://www.uniad.org.br/images/crack.png" alt="crack" width="450" height="288" /></p>
<p>O contato com a droga começa cedo: quase metade (45%) dos usuários provou a substância pela primeira vez antes dos 18 anos.</p>
<p>O crack é uma droga poderosa, capaz de mudar o comportamento do indivíduo, deixando-o pouco disponível para o tratamento. Importante lembrar que crianças e adolescentes que fazem uso do crack tornam-se dependentes, o que poderá causar diversas alterações em sua vida, entre elas: afastamento da escola e da família, maior probabilidade de envolvimento com o tráfico de drogas, prostituição, exposição a doenças sexualmente transmissíveis (AIDS, hepatites), furtos e vendas de seus pertences e de seus familiares, maior exposição a agressões, criminalidade e problemas com a lei, quando não a própria morte de modo violento.</p>
<p><strong>Álcool:</strong></p>
<p><img src="http://www.uniad.org.br/images/alcool.png" alt="alcool" width="450" height="252" /></p>
<p>Em entrevista ao site da Agência Brasil &#8216;Estudo da Unifesp estima que 11,7 milhões de brasileiros são dependentes de álcool&#8217;, Dr. Ronaldo Laranjeira ressaltou: “Temos 01 milhão de pontos de venda que são estimulados a aumentar cada vez mais o consumo. Além do baixo preço de bebidas e as propagandas que estimulam os mais jovens a beber&#8221;.</p>
<p>Para a maioria de adolescentes, as bebidas alcoólicas e o tabaco serão a combinação mais frequente, seguidos de álcool e maconha, tabaco e maconha e álcool e alucinógenos.</p>
<p><strong>Tratamento: Hospital Cantareira</strong></p>
<p>É muito raro um adolescente buscar ajuda de maneira espontânea para seu problema com o uso de substâncias psicoativas. O mais comum é que venha encaminhado pela família, por uma instituição (escola, conselho tutelar) ou por ordem judicial.</p>
<p>A avaliação do jovem usuário é de extrema importância para uma correta identificação tanto do uso precoce de drogas e das condições que podem acompanhar esse consumo como das graves consequências que podem ocorrer do uso continuo de substâncias.</p>
<p>O Hospital Cantareira tem uma enfermaria exclusiva para atender os adolescentes masculinos com idade de 15 a 17 anos. Atuam com uma equipe de profissionais especializados e com projeto terapêutico especifico para esta faixa etária.</p>
<p>No hospital serão avaliadas as comorbidades psiquiátricas. As mais prevalentes com a dependência química são o transtorno de conduta, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, os transtornos de humor (depressão, transtorno afetivo bipolar), transtornos de ansiedade e os transtornos psicóticos.</p>
<p>O tratamento é uma oportunidade para ajudar o paciente a transformar sua percepção do mundo e sua forma de nele inserir-se.</p>
<p><strong>*Adriana Moraes &#8211; Psicóloga da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) &#8211; Especialista em Dependência Química – Colaboradora do site da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas).</strong></p>
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										</item>
		<item>
		<title>Largar cigarro de repente é mais fácil do que redução gradual, diz estudo</title>
		<link>https://cantareira.spdm.org.br/largar-cigarro-de-repente-e-mais-facil-do-que-reducao-gradual-diz-estudo/</link>
				<pubDate>Tue, 05 Apr 2016 16:23:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[TI SPDM]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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				<description><![CDATA[Pessoas que deixam de fumar de repente têm mais chance de obter sucesso na tentativa de largar o cigarro do que aquelas que reduzem o consumo de tabaco gradualmente, afirma um novo estudo. &#8220;Para muitas pessoas, a maneira mais óbvia de largar o fumo parece ser reduzindo gradualmente, até parar&#8221;, afirma Nicola Lindson-Hawley, pesquisadora da]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p>Pessoas que deixam de fumar de repente têm mais chance de obter sucesso na tentativa de largar o cigarro do que aquelas que reduzem o consumo de tabaco gradualmente, afirma um novo estudo.</p>
<p>&#8220;Para muitas pessoas, a maneira mais óbvia de largar o fumo parece ser reduzindo gradualmente, até parar&#8221;, afirma Nicola Lindson-Hawley, pesquisadora da Universidade de Oxford (Reino Unido), autora do estudo.</p>
<p>&#8220;Com o tabagismo, porém a norma é aconselhar as pessoas a pararem tudo de uma vez, e nosso estudo encontrou apoio para tal&#8221;, afirmou. &#8220;O que descobrimos é que mais pessoas conseguiram parar quando deixaram de fumar de uma vez do que tentando reduzir a dose gradualmente para tentar parar.&#8221;</p>
<p>A pesquisa da cientista acompanhou quase 700 fumantes adultos divididos em dois grupos: um tentaria largar o cigarro de maneira abrupta, outro de maneira gradual. Cada pessoa determinava um prazo para zerar o consumo de cigarro, dentro de até duas semanas, e tinha encontros com uma enfermeira uma vez por semana.</p>
<p>Metade das pessoas preferiram a redução gradual, um terceiro preferiu o corte brusco, e o restante não manifestou preferência de estratégia antes de o estudo começar. A preferência pessoal não foi levada em conta pelos cientistas na hora de designar que tipo de estratégia (brusca ou gradual) cada voluntário teria de adotar.</p>
<p><strong>Nicotina de substituição</strong></p>
<p>No grupo gradual, a enfermeira criou uma agenda de redução para os participantes cortarem 75% dos cigarros ao longo de duas semanas, antes da data limite para deixar o cigarro. Forneceram a eles também adesivos de nicotina, além de outros substitutos. Os voluntários poderiam escolher entre um chiclete de reposição de nicotina, um spray nasal, tabletes sublinguais, inalador ou spray bucal durante o período de redução.</p>
<p>No grupo de corte abrupto, os participantes também receberam adesivos de nicotina de 21 mg por dia, já que há alguma evidência de que isso aumentava as chances de sucesso da interrupção. Os voluntários não tiveram acesso a produtos de ação curta, e podiam fumar como sempre fizeram até a data da interrupção.</p>
<p>Quatro semanas após o dia em que o prazo se encerrou, 40% do grupo que tentou abandonar o cigarro gradualmente ainda conseguia se manter longe do fumo. Entre aqueles que passaram por um corte abrupto, 49% mantiveram abstinência por esse período. Aqueles que disseram preferir uma mudança gradual antes de o estudo começar eram, no geral, menos propensos a obter sucesso até aquele ponto.</p>
<p>Seis meses depois, apenas 15% do grupo gradual conseguiu manter a decisão, contra 22% do grupo abrupto. O resultado foi descrito em estudo na revista médica &#8220;Annals of Internal Medicine&#8221;.</p>
<p>Fonte: UNIAD &#8211; Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas</p>
]]></content:encoded>
										</item>
		<item>
		<title>Consumo de drogas mata 200 mil pessoas por ano, diz ONU</title>
		<link>https://cantareira.spdm.org.br/consumo-de-drogas-mata-200-mil-pessoas-por-ano-diz-onu/</link>
				<pubDate>Tue, 05 Apr 2016 16:14:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[TI SPDM]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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				<description><![CDATA[Quase 200 mil pessoas morrem anualmente devido ao consumo de narcóticos ilegais, entre sobredoses e outros problemas associados, afirmou, em Viena, o diretor executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, sigla inglês), Yuri Fedotov. Yuri Fedotov discursou na abertura de uma reunião da Comissão de Estupefacientes das Nações Unidas (CEONU), na]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p>Quase 200 mil pessoas morrem anualmente devido ao consumo de narcóticos ilegais, entre sobredoses e outros problemas associados, afirmou, em Viena, o diretor executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, sigla inglês), Yuri Fedotov.</p>
<p>Yuri Fedotov discursou na abertura de uma reunião da Comissão de Estupefacientes das Nações Unidas (CEONU), na capital austríaca, que conta com a presença de ministros e de altos responsáveis de 53 países. Participaram também instituições e organismos internacionais, com vistas a consensualizar posições para a próxima sessão especial sobre drogas da Assembleia Geral da ONU, de 19 a 21 de abril.</p>
<p>Segundo Fedotov, atualmente existem 27 milhões de toxicodependentes com problemas graves de saúde, em que 12 milhões deles utilizam drogas injetáveis, como a heroína.</p>
<p>O diplomata russo sublinhou que o tráfico de drogas e as enormes receitas que gera constituem um &#8220;grande problema&#8221; em várias regiões do mundo, entre elas a América Central.</p>
<p>&#8220;As crescentes ligações entre os grupos do crime organizado e a violência extremista e terrorista se beneficiam do tráfico de drogas&#8221;, lembrou Fedotov, que lamentou que os programas de prevenção, tratamento e reabilitação de consumidores &#8220;continuem escassos em muitos países&#8221;.</p>
<p>Apelando aos vários países para que apliquem medidas baseadas no respeito pelos direitos humanos, com base em programas de prevenção e de reinserção social, Fedotov afirmou que há alternativas à detenção por delitos menores, como a posse de droga para consumo pessoal.</p>
<p>Com essas medidas, disse, evita-se que os indivíduos vulneráveis na prisão possam ser recrutados por criminosos ou mesmo por terroristas.</p>
<p>Fedotov destacou também que a aplicação da pena de morte por delitos relacionados com drogas &#8220;não está nem na letra nem no espírito das convenções internacionais&#8221;.</p>
<p>Numerosas organizações não governamentais mostraram-se críticas ao atual enfoque internacional no combate ao tráfico de drogas e têm defendido uma revisão na próxima reunião da Assembleia Geral da ONU, em abril, a primeira em quase duas décadas.</p>
<p>Segundo um relatório recente da ONG Harm Reduction International, com sede em Londres, anualmente, em todo o mundo, são investidos 100 mil milhões de dólares (cerca de 89.670 milhões de euros) no combate repressivo às drogas, quando 83% dos delitos relacionados com estupefacientes são apenas a posse de pequenas quantidades para consumo próprio.</p>
<p>Apesar dos esforços internacionais, o número de consumidores aumentou quase 20%, passando de 206 milhões em 2006 para 246 milhões em 2013, indica a ONG britânica, citando dados das próprias Nações Unidas.</p>
<p>Fonte: Agência Lusa</p>
]]></content:encoded>
										</item>
		<item>
		<title>Alcoolismo e trabalho: números que chamam a atenção</title>
		<link>https://cantareira.spdm.org.br/alcoolismo-e-trabalho-numeros-que-chamam-a-atencao/</link>
				<pubDate>Mon, 28 Mar 2016 19:32:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[TI SPDM]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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				<description><![CDATA[O alcoolismo foi responsável pelo afastamento do trabalho de 46.991 profissionais em todo o Brasil, em 2014, segundo levantamento realizado pelo Observatório de Indicadores do Sesi Paraná. Considerado de saúde pública, os números deste problema chamam bastante atenção. O Observatório de Indicadores do Sesi reúne dados do Ministério da Saúde e do Ministério da Previdência]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p>O alcoolismo foi responsável pelo afastamento do trabalho de 46.991 profissionais em todo o Brasil, em 2014, segundo levantamento realizado pelo Observatório de Indicadores do Sesi Paraná. Considerado de saúde pública, os números deste problema chamam bastante atenção.</p>
<p>O Observatório de Indicadores do Sesi reúne dados do Ministério da Saúde e do Ministério da Previdência Social. De acordo com o estudo, em nove anos, de 2006 a 2014, 350 mil brasileiros passaram pela mesma situação em virtude do alcoolismo e receberam auxílio-doença.</p>
<p>Entre todos os benefícios de auxílios-doença concedidos, neste período, os ligados a transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso do álcool correspondem a 29,83%. Há ainda mais 3,50% por doenças alcoólicas do fígado.</p>
<p>Juliana Lacerda, gerente de segurança em saúde do Sesi, afirma que empresas e indústrias precisam apoiar dependentes de álcool para que eles busquem tratamento adequado.<br />
Isso pode ocorrer desde uma fase inicial, com trabalho preventivo e focado na informação, até o encaminhamento médico.</p>
<p>“O combate ao álcool tem que estar no ambiente de trabalho, sendo transmitido, conversado com todos os colaboradores, desde os cargos de gerencia até o chão de fábrica. Tem que estar no convívio diário. Esta é uma doença que está presente dentro da indústria”, afirmou Lacerda.<br />
O Observatório de Indicadores ainda traz dados sobre mortes relacionadas ao consumo de álcool. Em 2013, em Curitiba, a taxa de óbito foi de 12,01 para cada 100 mil habitantes. No estado, o número para 13,97. Média maior do que a nacional, que ficou em 9,6.</p>
<p>Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que os adultos brasileiros bebem, em média, 8,7 litros de álcool puro por ano. Os dados compilados entre 2008 e 2010 e indicam também o país tem a nona maior média de consumo alcoólico, entre 35 países pesquisados no continente.<br />
A quantidade já foi maior. Ainda conforme a OMS, nos três anos anteriores, os adultos brasileiros consumiam 9,8 litros de álcool puro.<br />
O consumo per capita por homens brasileiros é de uma média de 13,6 litros de álcool puro por ano. Entre as mulheres brasileiras, o consumo per capita é de 4,2 litros de álcool puro por ano.</p>
<p><sup>Fonte: G1</sup></p>
]]></content:encoded>
										</item>
		<item>
		<title>Riscos do uso de álcool na adolescência</title>
		<link>https://cantareira.spdm.org.br/riscos-do-uso-de-alcool-na-adolescencia/</link>
				<pubDate>Mon, 28 Mar 2016 19:23:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[TI SPDM]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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				<description><![CDATA[Pesquisas mostram que o álcool é a bebida de maior consumo na adolescência, sendo consumida cada vez mais cedo O álcool é a substância psicoativa mais consumida precocemente pelos adolescentes, sendo que a idade de início do uso tem sido cada vez menor, o que aumenta o risco de dependência, problemas no desenvolvimento e no]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p><em>Pesquisas mostram que o álcool é a bebida de maior consumo na adolescência, sendo consumida cada vez mais cedo</em></p>
<p>O álcool é a substância psicoativa mais consumida precocemente pelos adolescentes, sendo que a idade de início do uso tem sido cada vez menor, o que aumenta o risco de dependência, problemas no desenvolvimento e no futuro. Aumenta também as chances de envolvimento em acidentes, violência sexual e participação em gangues. Estudos mostram que o álcool na adolescência está associado com mortes violentas, queda no desempenho escolar, dificuldades de aprendizagem e prejuízo no desenvolvimento.</p>
<p>Os danos causados pelo uso de álcool ao adolescente são diferentes daqueles causados nos adultos, seja por questões existenciais desta etapa da vida, seja por questões relacionadas ao amadurecimento do cérebro. O consumo de álcool pode trazer prejuízos para a memória, dificultar a aprendizagem e o controle de impulsos. Os profissionais que trabalham com adolescentes devem ter um preparo para avaliar corretamente o possível uso abusivo ou a dependência, conhecendo bem as características singulares dos adolescentes para que possam adaptar os instrumentos disponíveis para diagnóstico, uma vez que foram desenvolvidos para adultos.</p>
<p>O artigo publicado pela Revista Brasileira de Psiquiatria descreveu aspectos sociais associados ao consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes, visando orientar o profissional não especialista no trabalho com essas difíceis questões e alertar para as conseqüências do uso do álcool nessa idade, bem como os prejuízos no futuro. Os autores também citam dados onde o uso na vida de drogas psicotrópicas entre jovens de 12 a 17 anos é de 48,3% em 107 grandes cidades brasileiras, sendo o maior no índice de uso na vida de álcool na região Sul, 54,5%.</p>
<p>Pinsky e Silva, estudando comerciais de bebidas alcoólicas, demonstraram que a freqüência destes era, em média, maior do que a freqüência de comerciais sobre outros produtos, como bebidas não alcoólicas, medicamentos ou cigarros. Dos cinco temas mais freqüentemente encontrados nesses comerciais, três deles (como relaxamento, camaradagem e humor) eram diretamente relacionáveis às expectativas dos jovens. Para uma mente tipicamente sugestionável como a de um adolescente, a prática de propagandas que estimulam o uso de bebidas alcoólicas, apoiadas na posição da sociedade e a falta de firmeza no cumprimento de leis, é um caldo de cultura ideal para a experimentação tanto de drogas como de álcool, contribuindo para a precocidade da exposição de jovens ao consumo abusivo.</p>
<p>Álcool na adolescência é um tema bastante controverso, pois a Lei brasileira proíbe a venda de bebida alcoólica a menores de 18 anos, embora muitos jovens façam uso em casa, em festas e às vezes até em ambientes públicos. A sociedade age de forma diferente frente a esse problema, onde por um lado condena o abuso de álcool, mas por outro aceita propagandas que estimulam o uso.</p>
<p>O adolescente gosta de desafio e de burlar regras, acredita estar protegido mesmo envolvendo-se em situações de risco que podem ter conseqüências graves. Mesmo sem um diagnóstico de abuso ou dependência de álcool, pode se prejudicar com o seu consumo, à medida que se habitua a passar por uma série de situações apenas sob efeito de álcool. Vários adolescentes costumam, por exemplo, associar o lazer ao consumo de álcool, ou só conseguem tomar iniciativas em experiências afetivas e sexuais se beberem.</p>
<p>O artigo procurou demonstrar que o consumo de álcool por adolescentes tem elementos controversos que dificultam a compreensão do problema. Apesar de trazer claras conseqüências orgânicas, comportamentais e na estrutura de desenvolvimento da personalidade do jovem, o uso de álcool nesta faixa etária ainda é combatido e valorizado, dependendo do ângulo em que o fenômeno é observado: para a mídia, o consumo de álcool é favorecido. Para a lei e para os programas de saúde pública, ele é combatido.</p>
<p>No meio deste embate está o jovem com a personalidade em formação, navegando entre correntes opostas. Entretanto, independentemente das forças em questão, um ponto é inquestionável em relação ao consumo de álcool por adolescentes: <strong>quanto mais precoce o início de uso, maior o risco de surgirem conseqüências graves, cabendo aos profissionais que lidam com jovens alertá-los para esses riscos.</strong></p>
<p>O <strong>Hospital Cantareira</strong> oferece uma uma enfermaria exclusiva para adolescentes masculinos (15 a 17 anos), com uso abusivo de substâncias psicoativas e comorbidades psiquiátricas. Contando com uma equipe especializada e projeto terapêutico diferenciado para esta faixa etária.</p>
<p>Atendemos convênios e particulares.</p>
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		<item>
		<title>O papel da família no tratamento de dependência química</title>
		<link>https://cantareira.spdm.org.br/o-papel-da-familia-no-tratamento-de-dependencia-quimica/</link>
				<pubDate>Fri, 18 Mar 2016 15:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[TI SPDM]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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				<description><![CDATA[A família é um conjunto de pessoas que se encontram ligadas por laços afetivos, têm objetivos em comum, e um funcionamento específico. No caso desse funcionamento ser alterado, como quando um dos membros está internado, é natural que surjam dúvidas e insegurança em todo e qualquer membro da família. É um momento de tomada de]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p>A família é um conjunto de pessoas que se encontram ligadas por laços afetivos, têm objetivos em comum, e um funcionamento específico. No caso desse funcionamento ser alterado, como quando um dos membros está internado, é natural que surjam dúvidas e insegurança em todo e qualquer membro da família. É um momento de tomada de decisões que podem ser fáceis ou não, há que adaptar uma postura diferente para que o problema seja solucionado, neste caso, para que a pessoa internada atinja o estado de saúde ou, no caso de não se encontrar doente, que possa retornar a casa. O apoio familiar é muito importante, sendo mais ainda durante o tratamento, porém esse papel no trato com o doente não é fácil, pois vários são os sentimentos que ela pode apresentar diante dessa situação, tais como culpa, preconceito e incapacidade. Além do preconceito que os portadores de transtornos mentais e dependentes químicos sofrem da sociedade, eles também são submetidos aos da família, que se sente envergonhada pela sociedade pelo simples fato de não terem conseguido formar um individuo “saudável” e preparado para cumprir com suas obrigações sociais. Não é possível julgá-las, pois também são vitimas da sociedade assim como o doente, mas é possível reconhecer a importância dela na vida de qualquer ser humano.</p>
<p>Os familiares tornam-se essenciais no processo de tratamento do doente, no entanto necessitam saber como lidar com as situações estressantes, evitando comentários críticos ao paciente ou se tornando exageradamente super protetores, dois fatores que reconhecidamente provocam recaídas. Torna-se muito importante que os familiares dosem o grau de exigências em relação ao paciente, exigindo assim mais do que ele pode realizar em dado momento, porém sem deixá-lo abandonado, ou sem participação na vida familiar. Conhecendo melhor a doença e tendo um diagnóstico claro, a família passa a ser um aliado eficiente em conjunto com a medicação e a terapêutica trabalhada pela equipe multiprofissional.</p>
<p>O papel da família e importantíssimo em todas as fases do processo terapêutico, porém fundamental no inicio do tratamento onde o paciente ainda não percebe claramente que aquilo que acontece com ele é decorrente de uma doença, sendo que para este alucinações e delírios são reais. Dizer ao paciente que tudo não passa de sua imaginação não resolve, ao contrario, isso aumenta sua resistência ao tratamento. Tanto a família quanto a equipe responsável pelo paciente necessitam estar alinhadas objetivando adquirir confiança e vinculo, para que se estabeleça uma relação de confiança e de aceitação ao tratamento, o que irá garantir a efetivação do tratamento e conseqüente melhora. Podemos perceber que a recuperação de uma pessoa com transtorno mental ou dependente químico é um processo longo, e em muitos casos gradual e lento, no entanto combinando varias abordagens os resultados tornam-se assertivos e em muitos casos muito satisfatório.</p>
<p>Ao mesmo tempo em que se trata o quadro de doença do paciente, a família deve receber total atenção no sentido de ser orientada em sua abordagem ao paciente ou em sua dinâmica de relacionamento durante o processo terapêutico, visto que em muitos casos a família adoece em conjunto, sendo necessário um processo de escuta, apoio e orientação. Trabalhar com famílias traz átona traços relacionados à dinâmica funcional familiar muitas vezes já cristalizados ao longo do tempo e que necessitam serem repensados e apreendidos, sendo estes responsáveis pelo agravo da situação doença do paciente.</p>
<p>O Hospital Cantareira tem em seu projeto terapêutico o acompanhamento aos familiares. A família participa ativamente do tratamento por meio de orientação individual, grupos e conversa periódica com o médico.</p>
<p>É importante que a família sinta que pode fazer algo para ajudar o seu familiar a recuperar-se quando tal é possível e, mesmo quando não é, que seja capaz de compreender a situação e acompanhar o paciente, dando apoio, compreensão, carinho e dedicação (LAZURE, 1994).</p>
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		<title>O que é beber em binge?</title>
		<link>https://cantareira.spdm.org.br/o-que-e-beber-em-binge/</link>
				<pubDate>Wed, 13 Jan 2016 16:37:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[TI SPDM]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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				<description><![CDATA[Nesta semana participei da banca de defesa de doutorado do Dr. Daniel Socrates aqui na UNIFESP, que estudou o padrão de “beber pesado episódico” (em binge) no Brasil. Muito se fala em crack atualmente, mas o álcool continua sendo a principal droga consumida no mundo, daí a importância desse estudo. Mais de 2 bilhões de]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta semana participei da banca de defesa de doutorado do Dr. Daniel Socrates aqui na UNIFESP, que estudou o padrão de “beber pesado episódico” (em binge) no Brasil. Muito se fala em crack atualmente, mas o álcool continua sendo a principal droga consumida no mundo, daí a importância desse estudo.<br />
Mais de 2 bilhões de pessoas consomem bebida alcoólica no planeta, já que é uma droga lícita na maioria dos países. Cerca de 4% de todas as mortes no mundo têm relação com o uso de álcool, alcançando um número de 2,5 milhões de mortes ao ano.<br />
O uso crônico do álcool causa ou agrava cerca de 60 tipos de doenças clínicas, afetando todos os tecidos do nosso organismo: o tecido cardíaco, provocando, por exemplo, uma doença chamada miocardiopatia dilatada; o tecido cerebral, provocando demência de vários tipos; a pele, provocando lesões por deficiência de vitamina, a pelagra; o tecido nervoso periférico, provocando neuropatia periférica, que diminui a sensibilidade e causa impotência sexual, entre outros sintomas; o sistema digestivo, provocando gastrite, enterites, síndrome de má absorção, e por aí vai.<br />
O uso episódico está menos ligado aos problemas crônicos, mencionados acima; entretanto, vários estudos já relacionaram o volume de álcool consumido e a concentração sanguínea do álcool com diversos problemas sociais, familiares e clínicos. O uso pesado episódico, ou uso em binge, causa outros tipos de problemas não menos importantes: sexo desprotegido e todas as suas consequências, como gravidez indesejada e doença sexualmente transmissível; violência de todos os tipos (brigas em bares, homicídio, violência doméstica, acidente de trânsito, crise hipertensiva ou descontrole de diabetes ou doenças crônicas), entre outros.<br />
O uso pesado episódico pode ser definido como o consumo de cinco ou mais drinques de bebida alcoólica em uma única ocasião para homens e de quatro ou mais drinques para mulheres. Um drinque é o equivalente a uma lata de cerveja (350 mililitros) ou a uma taça de vinho (150 ml) ou a uma dose de destilado (50 ml). Conhecer quem são as pessoas mais suscetíveis a beber dessa forma e quais problemas têm mais correlação com esse consumo pode contribuir para o desenho de políticas públicas eficazes que previnam o problema, evitem sofrimento e, ainda, economizem recursos de saúde pública.</p>
<p>A pesquisa realizada pelo Dr. Daniel Socrates é parte de um grande levantamento epidemiológico realizado em todo o território nacional. A metodologia utilizada (amostragem probabilística) permite dizer que os resultados são representativos do que ocorre no Brasil como um todo. Os principais achados do estudo são os seguintes:<br />
<strong>(1) os homens tiveram 2,9 vezes mais chance de beber em binge do que as mulheres;</strong><br />
<strong> (2) os participantes com idade entre 18 e 44 anos tiveram quatro vezes mais chance de beber em binge do que adolescentes e idosos;</strong><br />
<strong> (3) aqueles que ganhavam mais do que R$ 2.500,00 tiveram 2,3 vezes mais chance de se engajarem no comportamento de beber em binge do que aqueles com renda até R$ 450,00;</strong><br />
<strong> (4) indivíduos solteiros tiveram 50% mais probabilidade de beber em binge do que os casados.</strong><br />
<strong> (5) protestantes e evangélicos tiveram 70% menos probabilidade de beber em binge do que os católicos ou os sem religião.</strong><br />
<strong> (6) a chance de ter problemas sociais, familiares financeiros e no trabalho foi de 2,7 a 3,8 vezes maior entre os que beberam em binge;</strong><br />
<strong> (7) a chance de se machucar em acidente de qualquer natureza foi 17 vezes maior entre os bebedores em binge;</strong><br />
<strong> (8) a chance de perder o emprego foi 5,2 vezes maior entre os bebedores em binge.</strong></p>
<p>A conclusão é simples: homens, solteiros, com renda média boa, sem religião ou católicos são os mais prováveis a se engajar no uso em binge, e aqueles que o fazem se acidentam mais e têm mais chance de perder o emprego, além de enfrentar problemas sociais e familiares.<br />
A questão mais difícil de responder é por que os governos ignoram esses dados e se rendem à pressão do mercado para que cada vez mais incentivos ao uso, justamente desse público mais vulnerável, sejam veiculados sistematicamente na mídia&#8230;</p>
<p><img src="https://www.spdm.org.br/images/Blog/like-dislike-capsule-icon/Dr-Claudio.jpg" alt="Dr Claudio" width="218" height="196" /><br />
Dr. Cláudio Jerônimo da Silva – Psiquiatra e Consultor Técnico do Hospital Cantareira</p>
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		<title>Contribuir para clima social favorável ao uso da maconha pode ser tão danoso quanto vendê-la</title>
		<link>https://cantareira.spdm.org.br/contribuir-para-clima-social-favoravel-ao-uso-da-maconha-pode-ser-tao-danoso-quanto-vender-a-droga/</link>
				<pubDate>Thu, 03 Dec 2015 20:31:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[TI SPDM]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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				<description><![CDATA[Todos sabemos que a percepção das massas sobre determinado produto influencia muito no seu consumo. Este é o princípio do marketing: criar um produto com um diferencial a partir do qual se construa uma fama que sustente a marca. Parece lógico: quanto mais se reforça a fama, melhor é a percepção das pessoas sobre o]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p>Todos sabemos que a percepção das massas sobre determinado produto influencia muito no seu consumo. Este é o princípio do marketing: criar um produto com um diferencial a partir do qual se construa uma fama que sustente a marca. Parece lógico: quanto mais se reforça a fama, melhor é a percepção das pessoas sobre o produto, maior a procura e maior o consumo.</p>
<p>Com a maconha não é diferente. Alguns estudos demonstram que a onda de legalização se assenta num caldo social de aceitação ao uso que antecede a lei. É um processo de convencimento que vai se construindo lentamente e por meio de vários mecanismos, apresentando-se a cada um de nós por recortes de estudos, casos e evidências de que o risco do uso é baixo, de que o uso é comum, de que o efeito colateral da proibição é maior do que o de usar, de que a regulação do uso é fácil, e por aí vai.</p>
<p>Não são estratégias necessariamente premeditadas e conspiradas por um único grupo organizado favorável ao uso da maconha, mas uma sequência de fatos que naturalmente se seguem uma vez que o processo se iniciou, com alguns oportunistas entrando aqui, outros ali, como andar de bicicleta – depois das primeiras pedaladas, inevitavelmente consegue-se ir longe. E, assim como com a bicicleta – quando você menos percebe, já está andando –, com a maconha acontece o mesmo: quando você menos percebe, sua atitude sobre o uso mudou e você está mais condescendente, menos assustado, achando normal e que nem é tão arriscado assim. Essa mudança faz parte do processo social e de convencimento que antecede a legalização.</p>
<p>Isso é o que mostram alguns estudos. Um deles, chamado “Monitorando o futuro” e conduzido pela Universidade de Michigan (Estados Unidos) desde 1975, entrevista jovens estudantes do 8º, do 10º e do 12º ano Anualmente, são entrevistadas amostras dos cerca de 41.600 estudantes secundaristas. Eles são avaliados sobre o seu consumo de drogas, entre elas a maconha, e sobre a percepção de risco que têm em relação ao uso daquela droga, bem como sobre quanto eles aprovam ou desaprovam o consumo. O resultado levou a uma série histórica de 40 anos de pesquisa. Durante esse período, principalmente na década de 1980, houve uma diminuição acentuada da percepção de risco e aumento da aprovação do consumo. Nessa década, o consumo aumentou bastante. Depois, houve um aumento da percepção de risco e da desaprovação do consumo, resultando na diminuição do uso da droga.</p>
<p>No âmbito individual, parece bastante óbvio: se você acha que alguma coisa vai lhe causar dano, sua tendência é evitá-la. No social, por analogia, a atitude permissiva leva à diminuição da percepção de risco e ao aumento do consumo.</p>
<p>As questões que se impõem são as seguintes: com base em quais dados e evidências estamos construindo a percepção social atual sobre o risco do uso da maconha? Estamos informados sobre todos os aspectos de saúde? E sobre os riscos que a nossa própria atitude social exercerá sobre os adolescentes, por exemplo? Não estamos trabalhando em cima de dados de recortes que interessam a grupos de usuários eventuais, mas não a adolescentes predispostos à esquizofrenia, por exemplo? Não deveríamos proteger os mais vulneráveis? Não é esse o papel das políticas públicas de saúde?</p>
<p>São inúmeras as outras questões, mas que fogem ao escopo desta discussão. O que interessa aqui é que a atitude social que se constrói é de tamanha seriedade que no debate não se pode omitir nenhum detalhe. Não é um assunto banal. Não se trata de resolver um único problema, como o tráfico, ou de um único grupo, como o de usuários eventuais. Trata-se de administrar todos os fatores envolvidos na questão, incluindo o de saúde pública. Todos sabemos os riscos potenciais para a saúde, exatamente? Não só para a sua saúde, mas para a saúde de todos – dos mais vulneráveis, inclusive. É preciso pensar em uma política para o bem comum.</p>
<p>Por isso devemos ter cuidado: contribuir para um clima social favorável a uma atitude positiva sobre a maconha aumenta o uso e pode ser tão danoso quanto vender a droga.</p>
<p>Referência: Lloyd D. Johnston; Patrick M. O’Malley; Jerald G. Bachman; John E. Schulenberg. MONITORING THE FUTURE – NATIONAL SURVEY RESULTS ON DRUG USE, 1975-2014. The National Institute on Drug Abuse at National Institutes of Health.</p>
<p><img class="imgnoticia" src="https://www.spdm.org.br/images/cmigration/Claudio.jpg" alt="Claudio" width="166" height="149" /></p>
<p><strong>Dr. Claudio Jerônimo Silva</strong><br />
<strong>Psiquiatra e Consultor Técnico do Hospital Cantareira</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Grávidas podem beber? O que é Síndrome Alcoólica Fetal?</title>
		<link>https://cantareira.spdm.org.br/gravidas-podem-beber-o-que-e-sindrome-alcoolica-fetal/</link>
				<pubDate>Mon, 05 Oct 2015 14:45:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[TI SPDM]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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				<description><![CDATA[O útero é um ambiente seguro, protegido e inviolável se a mãe estiver protegida também. Proteger as grávidas significa proteger gerações futuras e a vida, sempre é bom lembrar. Portanto, políticas de prevenção ao uso de drogas deveriam começar na barriga das mães, sem exagero nenhum. Pesquisas atuais na área de epigenética demonstram que o]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>O útero é um ambiente seguro, protegido e inviolável se a mãe estiver protegida também. Proteger as grávidas significa proteger gerações futuras e a vida, sempre é bom lembrar. Portanto, políticas de prevenção ao uso de drogas deveriam começar na barriga das mães, sem exagero nenhum. Pesquisas atuais na área de epigenética demonstram que o uso de drogas pelos pais, inclusive o álcool, ativa determinados genes que facilitam doenças mentais no futuro; que esses genes ativados são transmitidos aos fetos; e que filhos de mães usuárias de drogas que usaram alguma substância durante a gestação tiveram mais chances de usar drogas no futuro do que mães usuárias de drogas que não as usaram durante a gravidez. Portanto, não é exagero dizer que a prevenção começa no útero.</p>
</div>
<div>
<p>A placenta, por onde ocorre a troca de nutrientes entre mãe e feto, tem uma superfície de intercâmbio estimada em 67 metros quadrados e, se forem considerados os capilares, chega a 50 quilômetros de extensão linear. É uma troca intensa. Pela placenta passam quase todas as drogas que a mãe usa. No caso do álcool, a concentração fetal chega a ser dez vezes maior do que a materna quando a mãe usa álcool. Por isso, não existe beber seguro durante a gestação. Assim, bebê em formação é coisa séria e mamãe abrigando um bebê em formação é coisa mais séria ainda.</p>
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<div>
<p>Quando a gestante consome bebida regularmente, principalmente no primeiro trimestre, o bebê pode nascer com a chamada síndrome alcoólica fetal. Não existem estudos que quantifiquem exatamente a dose e a regularidade necessárias para que a síndrome ocorra.</p>
<p>O ponto de corte é impreciso e, portanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que beber durante a gestação, em qualquer dose, não é seguro.</p>
</div>
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<p>A síndrome alcoólica fetal foi primeiramente descrita na França e posteriormente nos Estados Unidos na década de 1970. Na sua forma clássica, podemos dividi-la em três grupos de sintomas: (1) atraso do desenvolvimento pré e/ou pós-natal (baixo peso, baixa estatura ou circunferência craniana menor que o percentual 10 para a idade gestacional); (2) comprometimento do sistema nervoso central (SNC), defeitos neurológicos e retardo mental de grau variável – atraso no desenvolvimento intelectual, principalmente distúrbios de aprendizagem e de comportamento, déficit de memória e de atenção, hiperatividade, impulsividade e agressividade; (3) dismorfias craniofaciais: microcefalia (circunferência craniana pequena), microftalmia, micrognatia (área maxilar achatada) e lábio superior fino.</p>
</div>
<div>
<p>Essas alterações nem sempre estão todas presentes nem são tão evidentes ao nascimento. Algumas vezes, a criança nasce com baixo peso, um pouco prematura, e o atraso motor e intelectual será percebido só mais tarde. Dependendo do nível de atenção dos pais, ou em filhos que sofrem abandono, algumas vezes esse atraso só será percebido muito mais tarde, quando a criança demora para andar, não consegue falar ou, dependendo do nível de abandono, não acompanha o desenvolvimento dos colegas da mesma idade na escola, por exemplo. Essa é a causa mais frequente de retardo mental não genético e, portanto, evitável no mundo.</p>
</div>
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<p>As causas são imprecisas e bastante técnicas, mas estudos recentes demonstram que o uso de álcool na gravidez prejudica o transporte de folato para o feto devido à alteração na expressão de proteínas de ligação e transporte, acarretando defeito na formação do tubo neural e anomalias cardíacas. O álcool pode levar à hipóxia (falta de oxigênio) fetal. Ocorrem ainda distúrbio no metabolismo de glicose, proteínas, lipídios e DNA e neurogênese diminuída (formação de novos neurônios prejudicada). Além disso, a prematuridade é considerada uma importante consequência da síndrome alcoólica fetal. Em um estudo de seguimento recente nos Estados Unidos, incluindo 24.679 gestações, foi observado risco aumentado de aborto espontâneo no primeiro trimestre (de sete a 11 semanas completas de gestação) em mulheres que consomem mais de cinco drinques por semana.</p>
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<p>As estatísticas no Brasil não são precisas. Não temos dados populacionais em grávidas. Mas, em mulheres de maneira geral, isso tem aumentado. De 2006 para 2012, no Brasil, houve um aumento de 34,5% no número de mulheres que bebiam regularmente (uma vez na semana ou mais) e aumento de 36% no número das que bebiam em binge (quatro ou mais doses na mesma ocasião). É de se supor que possa ter aumentado o número de mulheres grávidas que usam álcool também.</p>
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<p>Para que não haja um aumento futuro de crianças com síndrome alcoólica fetal, é preciso informar as mães, alertar a sociedade e proteger os bebês e as crianças, que são o nosso futuro. É melhor evitar o álcool, porque para essa síndrome não há tratamento, mas ela é evitável: é só não beber durante a gestação.</p>
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<p><strong><em>Referência consultada e sugerida</em></strong><br />
Rogério A. Santana; Leonardo F. J. L. Almeida; Denise L. M. Monteiro. Síndrome alcoólica fetal – revisão sistematizada. Revista Hospital Universitário, v. 13, n. 3; Obstetrícia jul./set. 2014. Disponível em: &lt;<a href="http://revista.hupe.uerj.br/detalhe_artigo.asp?id=501" target="_blank">http://revista.hupe.uerj.br/detalhe_artigo.asp?id=501</a>&gt;. Acessoem: 27 set. 2015.</p>
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<p><img class="imgnoticia" src="https://www.spdm.org.br/images/cmigration/Claudio.jpg" alt="Claudio" width="166" height="149" /><br />
<strong>Dr. Claudio Jerônimo Silva &#8211; Psiquiatra e Consultor Técnico do Hospital Cantareira</strong></p>
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